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Há dias que são esquina.

Fogos e artifício

Mil e várias coisas pra fazer nos últimos dias e, em decorrência, essa ausência em meu blog, ainda nem inaugurado neste ano que já vai indo e… sangrando…

Queria que meu primeiro post de 2010 tratasse sobre meus anseios para este ano que já começa com tantas inundações – todas elas -, falasse sobre querer ver menos gente perdida do que tenho visto. Sobre estarmos menos perdidos do que temos estado. Tudo é tão dúbio que desejaria um ano mais claro, com gente mais destemida de tirar as vestes, as cascas, as castas, a pele e se mostrar tão dúbia quanto é, entregando um pouco de luz aos outros e a si. Todavia ando desconfiada… O pós-modernismo plantou mesmo fantasmas por toda parte…

Sendo assim, desejo-nos um ano menos fotográfico, menos midiático, menos virtual. Mas fogo, artifício. Mais tristeza, daquela que configura.

Um ano sem pessimismo, sem otimismo. Esperançosamente – tão e somente- sentido, compartilhado, apreciado.

Ao Haiti, ao Jd. Pantanal, ao Jd. Romano, desejos.

Aos 30 de janeiro de 2010, Feliz Ano Novo!, DES-E-S-P-E-R-A-D-A-M-E-N-T-E.

Calejados

Não sei. A cada dia sei menos coisas. Antigas certezas se diluem: calejados pelas decepções, vacinados contra a indignação, não sabemos direito o que pensar. Então não pensamos.

(Lya Luft)

Estagnação

Um dia, de manhã, enquanto pedia ao atendente da padaria que me escolhesse os pães mais torrados, minha alma se despregou do espírito.

Naquele instante, pela primeira vez, estagnei. Vi corpos sem espírito, e almas sem corpos por toda parte. Não enxerguei nem um homem completo desde então. Acho que, embora os profetas tenham tentado nos unificar, os filósofos nos fragmentaram completamente.

Queria me lembrar como era antes desse dia.

I Will Follow Him

Twitter: depois de tanto resistir, resolvi conferir que merda é essa.

Vivendo e vencendo preconceitos… Ou não…

o_O

Twitter

Só me pergunto onde é que vamos parar.

http://twitter.com/bartiraferraz

Arrumação.

Às palavras, que perdi.

Dia desses perdi as palavras. Mas não como quem fica embasbacado com alguma situação. Perdi como quem perde um coiso assim num canto qualquer. A linguagem, preservo-a intacta, se é que há alguma valia nisso. As palavras, porém, perdi. Todas.

Não tem muito o que entender mesmo não. Foi exatamente assim que aconteceu. Como num conto fantástico, talvez. Como num canto disfásico – mais provável. Como alguém que perde o corpo e preserva a silhueta. E é como essa bolinha azul onde a gente mora que a minha linguagem se mantém. Completamente sem sustentação. Mantém-se, não obstante. E não é que eu tenha encontrado gestos ou expressões e cunhado criativamente uma substituição. Não é não. Até porque, digamos assim, gestos e palavras poderiam ser sinônimos neste contexto, ou em outros. Confesso, encontro-os todos o tempo todo. Às vezes até, como quem não quer nada, enfio uns debaixo da mobília ou colo que nem chiclete sob a mesa (não estou incentivando a prática, apesar de respeitá-la) e saio de mansinho, deixando lá para alguém, quem sabe, grudar o seu em cima.

Já pensou? Seriam dois corpos fundidos cheios de silhueta e sombra, completamente indiferentes às palavras que perdi.

Ando agora com essa mania de fazer referência a músicas. É só uma forma de dizeres.

Sobre como aliciar um exército

pessoas

 Marcos Polo disseminou a história de um muçulmano fanático que, em meados do século XII, mantinha sob seu domínio um terrível exército. Para incentivar esse exército a ir com mais ímpeto às batalhas, o tal muçulmano viciava seus soldados numa droga, o haxixe. Em troca da droga, o rebanho de viciados cometia grandes massacres e atrocidades durante suas empreitadas. Tanto que tais soldados com suas práticas teriam dado origem à palavra “assassino”, que viria de haschichiyun” (usuário de haxixe).

O que mais chama a atenção em todo esse relato, contudo, não são as nuances da racionalidade humana explicitadas ou a curiosidade etimológica à qual somos submetidos, mas a percepção do quanto a passagem do tempo é capaz de modificar apenas superficialmente as culturas.

Guardadas as devidas proporções, o que percebemos é que as drogas mudaram, mas a maneira de aliciar e subjugar exércitos não.

 P.S.: Pensei em dedicar este texto à paralisação dos funcionários da Usp que acontece hoje. Percebi, entretanto, que seria injusta, já que paralisação, inércia e ação têm andado sob as mesmas égides. Não o faço, portanto.