Sobre o amor

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Sobre calar…

A palavra é o testemunho de uma ausência. Como tal, ela possui uma intenção mágica, a de trazer à existência o que não está lá…

Rubem Alves, em Conversas com quem gosta de ensinar

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Há dias que são esquina.

Palavras Repetidas

Palavras Repetidas

A terra tá soterrada de violência,
De guerra, de sofrimento, de desespero.
A gente tá vendo, tudo tá vendo a gente,
Tá vendo o nosso espelho na nossa frente,
Tá vendo na nossa frente aberração,
Tá vendo, tá sendo  visto, querendo ou não,
Tá vendo no fim do túnel escuridão (2x).
Tá vendo a nossa morte anunciada,
Tá vendo a nossa vida valendo nada.
Tô vendo chovendo sangue no meu jardim,
Tá lindo o sol caindo que nem granada
Tá vindo um carro bomba na contramão. (3x)
Tá vindo o suicida na direção

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã,
Porque, se você parar pra pensar, na verdade não há.”

A bomba tá explodindo na nossa mão,
O medo tá estampado na nossa cara,
O erro tá confirmado, tá tudo errado,
O jogo dos setes erros que nunca para,
Sete, oito, nove, dez, cem,
Erros meus, erros seus e de Deus também,
Estupidez, um erro simplório,
A bola da vez, enterro, velório,
Perda total por todos os lados,
Do banco do ônibus ao carro importado.
Teu filho morreu? Meu filho também.
Morreu assaltando. Morreu assaltado.
Tristeza, saudade por todos os lados,
Tortura covarde humilha e destrói.
Eu vejo um Bin Laden em cada favela,
Herói da miséria, vilão exemplar,
Tortura covarde por todos os lados,
Tristeza, saudade, humilha e destrói,
As balas invadem a minha janela,
Eu tava dormindo, tentando sonhar

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã,
Porque, se você parar pra pensar, na verdade não há.”

Sou um grão de areia no olho do furacão,
Em meio a milhões de grãos,
Cada um na sua busca,
Cada bússola num coração,
Cada um lê de uma forma o mesmo ponto de interrogação,
Nem sempre se pode  ter fé,
Quando o chão desaparece em baixo do seu pé.
Acreditando na chance de ser feliz,
Eterna cicatriz,
Eterno aprendiz das escolhas que fiz,
Sem amor eu nada seria,
Ainda que eu falasse a língua de todas as etnias,
De todas as falanges e facções,
Ainda que eu gritasse os gritos de todas as Legiões.
Palavras repetidas, mas quais são as palavras que eu mais quero repetir na vida?
Felicidade, paz. É.
Felicidade, paz, sorte.
Nem sempre se pode ter fé,
Mas nem sempre a fraqueza que se sente
Quer dizer que a gente não é forte.

(Gabriel, o Pensador)

A alma que me cabe

Ao embarcarmos nessa jornada em busca de um “coração que abraça o mundo”, nada mais natural que dedicar a atenção ao mundo que se deve e se quer abraçar: suas dores, imperfeições, mazelas e males, e suas gentes sofridas e vitimadas, ou cruéis, malvadas, violentas e indiferentes. Mas é fato que a tentação de se atirar na direção do mundo a ser abraçado sem a devida atenção ao coração que pretende abraçá-lo compromete a missão. É bom lembrar que também fazemos parte da “multidão” que queremos abraçar. Talvez seja esse exatamente o segredo da missão – abraçar a si mesmo no abraço ao outro, vendo o outro não como estranho, mas um igual; ver o outro não como alma a ser salva, mas reflexo da própria alma que pretende ser instrumento de salvação. O outro não é outro, senão eu mesmo fora de mim. Nele me vejo. Em sua alma a ser redimida enxergo a mim mesmo, também carente de salvação. Descubro no ato de abraçar que a verdadeira alma a ser salva é a minha. Somente assim, nessa confusão; comunhão dos abraços, percebo que o mundo que pretendo e desejo abraçar não é um mundo construído apenas pelo outro que outrora eu pretendia salvar, nem tampouco um mundo estranho que é preciso transformar. O mundo passa a ser expressão de mim mesmo; sou eu também responsável pela feiúra do mundo que pretendo tornar belo. Antes de tentar abraçar o outro e seu mundo, somos chamados a encarar o mundo e o outro como quem olha um espelho: ver a nós mesmos e o mundo que ajudamos a construir. Assumir o desafio perene de que a verdadeira alma que nos cabe é a nossa mesma. A profecia começa sempre pela casa do Senhor.

Ed René Kivitz: http://www.ibab.com.br/ed091115.html

Todo Cambia

Triste perda!

Todo cambia

Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante
Aúnque esto le cause daño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Cambia el sol en su carrera
Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
Por mas lejo que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente

Lo que cambió ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Pero no cambia mi amor…

Muda o superficial
também muda o profundo
muda o modo de pensar
muda tudo neste mundo.

muda o clima com os anos
muda o pastor e seu rebanho
e assim como tdo muda
que eu mude não é estranho.

muda o mais fino brilhante
de mão em mão o seu brilho
muda o ninho, o passarinho
muda o sentir de um amante.

muda de rumo o caminhante
mesmo que isso lhe cause dano
e assim como tudo muda
que eu mude não é estranho.

muda, tudo muda
muda, tudo muda
muda, tudo muda
muda, tudo muda.

muda o sol em seu caminho
quando a noite resiste
muda a plante e se veste
de verde a primavera

muda a pelagem da fera
muda o cabelo do ancião
e assim como tudo muda
que eu mude não é estranho

mas não muda meu amor
por mais distante que me encontre
nem as lembranças, nem a dor
de meu povo e minha gente

o que mudou ontem
terá que mudar amanhã
assim como mudo eu
nesta terra distante.

Arrumação.

Às palavras, que perdi.

Dia desses perdi as palavras. Mas não como quem fica embasbacado com alguma situação. Perdi como quem perde um coiso assim num canto qualquer. A linguagem, preservo-a intacta, se é que há alguma valia nisso. As palavras, porém, perdi. Todas.

Não tem muito o que entender mesmo não. Foi exatamente assim que aconteceu. Como num conto fantástico, talvez. Como num canto disfásico – mais provável. Como alguém que perde o corpo e preserva a silhueta. E é como essa bolinha azul onde a gente mora que a minha linguagem se mantém. Completamente sem sustentação. Mantém-se, não obstante. E não é que eu tenha encontrado gestos ou expressões e cunhado criativamente uma substituição. Não é não. Até porque, digamos assim, gestos e palavras poderiam ser sinônimos neste contexto, ou em outros. Confesso, encontro-os todos o tempo todo. Às vezes até, como quem não quer nada, enfio uns debaixo da mobília ou colo que nem chiclete sob a mesa (não estou incentivando a prática, apesar de respeitá-la) e saio de mansinho, deixando lá para alguém, quem sabe, grudar o seu em cima.

Já pensou? Seriam dois corpos fundidos cheios de silhueta e sombra, completamente indiferentes às palavras que perdi.

Ando agora com essa mania de fazer referência a músicas. É só uma forma de dizeres.