Dos heróis

Assistia à segunda parte da série de reportagens do SBT intitulada “Sob o sol do Sudão”. Então ouvi o repórter findar sua matéria: “A capital é suja, não tem limpeza pública. Apenas 5% das ruas são asfaltadas. Apagão aqui acontece a toda hora. A energia fornecida pelo governo é pré-paga, só tem luz quem paga antes; para a maioria, a saída são os geradores. Aqui metade da população está abaixo da linha da pobreza, mais de 20 milhões de pessoas sobrevivem com apenas dois reais por dia. Para resolver tudo isso, só a democracia.”

A democracia aos sudaneses! Mas e a nós que já fomos resolvidos por ela?

Ao que parece, diante de discursos tão cheios de discurso e de fatos como o do discurso, o que configura um herói não é senão o fato de ele não nos pertencer, de sua sobrevivência dar-se em pleno vigor e beleza no plano dos planos. Assim que o tal candidato a salvador da pátria materializa-se em nossa frente, prostramo-nos diante dele, porém não como quem reverencia, mas como quem estremece diante do indissolúvel, de cérebros e bocas e olhos e mãos e visgos mil.

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Uma resposta

  1. A democracia não resolve nada! É apenas o pior regime que existe, à exceção de todo o resto. Precisamos dela…
    Heróis não resolvem nada!!! São apenas ilusões criadas pelo consciente coletivo. E não precisamos deles…

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